Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

Sedução

Parece fácil seduzir no século XXI. As pessoas estão à mão sob todos os aspectos e expõem-se mais (a vergonha e o pudor é para os cotas!) tanto a nível físico como a nível pessoal.
É fácil conhecer-se gente nos bares, no café, no trabalho, na rua e ultimamente na internet. Ele é cha's, ele é eu procuro-te, ele é mensageiros, ele é amigos dos amigos dos amigos às toneladas e sei lá que mais.
O telemóvel permite-nos estar-se ligado ao mundo 24h/24h, em qualquer lado, a qualquer hora, com quem quer que seja (que esteja fisicamente connosco e do outro lado do fio).
Estamos aqui e em todo o lado. Estamos sozinhos e com toda a gente. Estamos íntimos e sociais.

E…

Nunca as pessoas se sentiram tão sozinhas, tão desconsoladas, tão irritadiças, tão agressivas, tão desamparadas e tão depressivas, porque tanta comunicação e tanta gente nova não trouxe mais relações estáveis, nem mais amigos verdadeiros e de confiança. Os amigos vêm e vão. Os amores são efémeros. Os fios nunca chegam a dar laços e muito menos nós.
As pessoas sentem, então, necessidade de arranjar alguém à força, uma alma gémea que as tire dessa teia de momentos vazios. Mas as amizades e os amores não se forçam. Ou há empatia e a amizade nasce ou o elo se esfuma rapidamente. Ou há sintonia e desejo e o amor floresce ou o amor morre na nascente.

Não nos devemos impor a ninguém. Não devemos dizer: - Cheguei e preciso já de ti! É preciso criar os fios invisíveis que nos ligam ao outro. Se for ao amigo, devemos criar um tecido de afinidades. Se for a uma paixão nascente, devemos criar o desejo do reencontro.

Não devemos dar-nos por inteiro logo nas primeiras abordagens. Lagos obscuros não incitam ao banho, mas transparência a mais também faz perder todo o mistério. Não devemos esperar muito do outro e tentar aceitá-lo como é, assim evitaremos as decepções de altas expectativas.

Seduzir é como ter uma cana de pesca e puxar alguém para nós com um fio. Se o fio for fraco, a sedução será desfeita. Se for forte demais, iremos aprisionar o outro nas malhas da posse. O fio deve ser suficientemente leve e forte para que o outro venha ter connosco sem termos de o puxar.

Sedução é uma coisa cada vez mais esquecida, disse o eco no país duma raposa e dum principezinho…

publicado por pitita83 às 19:23
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O Cultivar dos pequenos Gestos

O amor cultiva-se todos os dias através de pequenos gestos. Também é verdade que há loucuras e feitos grandiosos que marcam profundamente uma relação, mas por mais incrível que pareça, o que recordamos de alguém que já amámos em tempos são pequenos quadros felizes de todos os dias recheados de pequenos gestos.

 

Uma concha que se apanhou na praia num fim de tarde mágico… Um abraço doce depois dum dia não… Um malmequer apanhado na relva… O abrir a porta do carro… um elogio inesperado… um telefonema imprevisto… uma massagem na testa em tempo de dor de cabeça… Uma noite num local agradável planeado com antecedência… Uma surpresa… Uma mensagem carinhosa… Uma folha de papel com um poema… Dar as mãos espontaneamente… Uma ida ao restaurante favorito… Uma carícia no cabelo… Uma caixinha de chocolates… Olhar nos olhos… Uma sobremesa especial… Tudo isto são pequenos gestos que se recordam com carinho e que embelezam a vida de um casal.

publicado por pitita83 às 19:04
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Solidão

Há alturas em que nos sentimos sós, mesmo isolados do resto do mundo. Encaramos o estar só como algo de profundamente negativo, como se o ficar entregue a si mesmo, fosse igual a ficar fechado num quarto escuro, com o monstro mais destruidor de todos os tempos. Não é o não se ter ninguém por perto que perturba, é o ficar-se entregue aos próprios pensamentos aterradores!

Depois, a sociedade impõe que se tenha alguém à força e que se tenha filhos, mesmo se muitos homens e sim, muitas mulheres, não tenham o mínimo instinto paternal e maternal. Procria-se porque assim os olhares acusadores o exigem. Homens e mulheres que vivem sozinhos por opção são encarados como desvios da norma, como pessoas que devem ter grandes pancadas, pois não se relacionam com ninguém e/ou são uns tresloucados porque coleccionam afectos. Parece que é obrigatório estar-se sempre dependente de alguém e não sermos responsáveis da própria liberdade.

O problema é quando a solidão pesa. Fugimos do silêncio como a formiga foge das canções da cigarra. Ocupamo-nos com múltiplas actividades, enchemos o tempo com encontros e telefonemas e evitamos ao máximo aquele momento em que ficamos de novo em casa sem ninguém, entregues ao vazio do eu. Porque sim, é disso que se trata, encarar o vazio de si mesmo. Ficamos a pensar o quanto somos inúteis por não sermos o mais que tudo de outrém. Ficamos a delirar sobre o que não se teve e o que se poderia ter dito e feito e ficamos sempre a perder.

Que fazer então? Para mim, funciona escrever. Anoto numa folha os pensamentos e os sonhos por realizar. Faço listas de tarefas e anoto o nome de pessoas de quem não sei nada há muito tempo e mudo de maneira de pensar. Reflicto sobre o facto de não fazer determinadas coisas devido ao olhar reprovador dos outros e mudo de atitude. Nós somos o que pensamos e temos a obrigação de não fazer novelos enrodilhados de pensamentos negativos, que se transformam em meadas enormes de pessimismo, em vez de tricotar lindos cachecóis e camisolas para oferecer de presente aos outros e a si mesmo.

Os outros não servem para preencher as nossas carências. Somos os próprios enfermeiros afectivos e nós é que temos de curar as nossas dores profundas e aprendermos a colmatar o vazio, só assim é que podemos atrair alguém na nossa vida, por nós e não para encher o vazio e o silêncio…

publicado por pitita83 às 18:53
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