Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

Solidão

Há alturas em que nos sentimos sós, mesmo isolados do resto do mundo. Encaramos o estar só como algo de profundamente negativo, como se o ficar entregue a si mesmo, fosse igual a ficar fechado num quarto escuro, com o monstro mais destruidor de todos os tempos. Não é o não se ter ninguém por perto que perturba, é o ficar-se entregue aos próprios pensamentos aterradores!

Depois, a sociedade impõe que se tenha alguém à força e que se tenha filhos, mesmo se muitos homens e sim, muitas mulheres, não tenham o mínimo instinto paternal e maternal. Procria-se porque assim os olhares acusadores o exigem. Homens e mulheres que vivem sozinhos por opção são encarados como desvios da norma, como pessoas que devem ter grandes pancadas, pois não se relacionam com ninguém e/ou são uns tresloucados porque coleccionam afectos. Parece que é obrigatório estar-se sempre dependente de alguém e não sermos responsáveis da própria liberdade.

O problema é quando a solidão pesa. Fugimos do silêncio como a formiga foge das canções da cigarra. Ocupamo-nos com múltiplas actividades, enchemos o tempo com encontros e telefonemas e evitamos ao máximo aquele momento em que ficamos de novo em casa sem ninguém, entregues ao vazio do eu. Porque sim, é disso que se trata, encarar o vazio de si mesmo. Ficamos a pensar o quanto somos inúteis por não sermos o mais que tudo de outrém. Ficamos a delirar sobre o que não se teve e o que se poderia ter dito e feito e ficamos sempre a perder.

Que fazer então? Para mim, funciona escrever. Anoto numa folha os pensamentos e os sonhos por realizar. Faço listas de tarefas e anoto o nome de pessoas de quem não sei nada há muito tempo e mudo de maneira de pensar. Reflicto sobre o facto de não fazer determinadas coisas devido ao olhar reprovador dos outros e mudo de atitude. Nós somos o que pensamos e temos a obrigação de não fazer novelos enrodilhados de pensamentos negativos, que se transformam em meadas enormes de pessimismo, em vez de tricotar lindos cachecóis e camisolas para oferecer de presente aos outros e a si mesmo.

Os outros não servem para preencher as nossas carências. Somos os próprios enfermeiros afectivos e nós é que temos de curar as nossas dores profundas e aprendermos a colmatar o vazio, só assim é que podemos atrair alguém na nossa vida, por nós e não para encher o vazio e o silêncio…

publicado por pitita83 às 18:53
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